Nascido e criado em Quarteira, desde cedo que Élton Mota se identificou e apaixonou pelas sonoridades suburbanas que chegavam do outro lado do oceano. Oriundo de um ambiente onde o eco daquela mensagem encontrava um destino perfeito, criou o seu primeiro grupo de RAP ainda durante a adolescência, numa fase em que o próprio movimento nacional começava a dar os seus primeiros passos sólidos.
Durante largos anos fez parte do colectivo APC (Autonomia Para Criar), grupo mítico da cena Hip-Hop algarvia, mas foi a solo, nas rodas e batalhas de improviso, que ganhou respeito e notoriedade entre os seus pares e do público deste género musical, sendo ainda hoje considerado uma das maiores referencias nacionais.
Espectador atento, nómada, apaixonado pela música e pelo sentido das palavras, observador quotidiano, inconformista inveterado, audaz e incorrigível, que com a maturidade que a idade nos traz soube esculpir a fúria e a espontaneidade, transformando-as em reflexões com outra densidade e refinamento. O improviso inconsequente deu assim lugar a rima e prosa mais adulta, mais atenta, mas não menos acutilante, mordaz e por vezes politicamente incorrecta.
A viagem pelas sonoridades urbanas que fazem parte do seu crescimento continua com "1991", o seu mais recente projecto.
Depois de em 2014 ter lançado o seu EP de estreia "Jeans Monroe", que contou com a produção de Mike Ghost e Fernando Matias da The Pentaghon Audio Manufacturers, o algarvio filho de Quarteira volta ao estúdio, para juntamente com o DJ/Produtor Gijoe/Sickonce lançar o seu segundo projecto de originais pela editora independente Kimahera da qual os dois fazem parte: Porcelana.